...Transcendendo as Certezas.



O que é um trânsito.


É importante entender que o trânsito não é o planeta lá no céu agindo sobre nós. É uma energia, uma atitude, uma nova forma que está chegando em nossa vida e precisa ser integrada. Quanto mais resistimos e tentamos lutar contra, mais esse planeta vai ser materializado, corporificado de forma negativa diante de nós.

Os trânsitos netunianos duram em média dois a três anos e nesse espaço de tempo costumamos passar por várias fases. Vamos pra frente e pra trás, nos agarramos ao padrão antigo, abrimos mão, sofremos algumas intempéries do destino, até que podemos integrá-lo à nossa vida.

Quem é netuno.

Sabemos que Netuno está sendo ativado num mapa, pelas palavras que uma pessoa usa ou pelas histórias que conta. Ela pode dizer coisas como: “Tá tudo muito confuso”, “Tá tudo muito estranho”, “Não tenho clareza de nada”, “Só tenho vontade de dormir”, “Não sei onde que isso vai dar”, “Se eu pudesse, não me mexia!”

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Nos esquecemos, perdemos coisas, pegamos o ônibus errado, não encontramos os papéis que precisamos, as palavras já não têm mais a mesma clareza. É um desafio para nosso lado saturnino que é auto-suficiente, que coloca barreira e limite, que define e quer controlar todas as variáveis.

O coração do nosso ser

Netuno é a relação com tudo que é invisível. É chamado de a oitava superior de Vênus. Enquanto este último estabelece uma relação de troca com o outro, Netuno é o amor incondicional. Mas o que é mesmo amar sem condições? É real? Essa forma de amar não é para os deuses? Deve ser!! Nosso lado venusiano continua estabelecendo trocas. A condição aqui não tem relação com dar e receber. É incondicional porque não está preso a forma, a idade, gênero ou quaisquer circunstâncias externas.

É também a experiência de poder se colocar no lugar desse outro, sair mais de si, se levar menos a sério. É a aceitação da vulnerabilidade, dos vieses, dos paradoxos, das idiossincrasias de si e do outro. É poder estar mais vulnerável, mais aberto, receptivo. É olhar para a nossa humanidade!

Um convite ao mundo interior – um mundo sem forma

Netuno nos convida a introspecção, ao isolamento. Tira-nos da nossa dura realidade do dia a dia e traz o sonho, a fantasia, a inspiração. Na impossibilidade estratégica de não olhar para o real, entram em cena as drogas, a bebida, a religião, a meditação, a arte. Uma forma de lidar com a dor de não ter clareza, definição, ou uma visão duradoura.

Certamente que, com a percepção difusa e com “água na veia”, algumas distorções, enganos e ilusões podem vir no mesmo pacote.

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O senhor dos mares pede aceitação, compaixão, pede para “entregar as “pontas”, pedir ajuda, para que tenhamos paciência de esperar que o novo se defina, soltar os remos do barco, deixar que as coisas aconteçam por elas mesmas. Uma não-ação, quietude, o exercício do nosso lado feminino, receptivo, Yin.

Talvez o melhor mesmo seja estar sempre voltando ao nosso centro, nos isolando um pouco, tomando muitos banhos de mar e de chuveiro também, para “limpar” todas as impressões que ficam grudadas em nós nesse momento. Num trânsito de Netuno, não tem como fugir do exílio voluntário e necessário em alguns momentos.

Um solvente químico

A função de netuno é dissolver. Desapegar, perder a forma. Coisas são roubadas, o dinheiro pode virar pó, os livros molham na água da chuva.

Netuno não está preocupado com resultados, ele quer apenas que se entre em contato com o sonho, a fantasia, que façamos uma revisão daquilo que gostamos, que a nossa vida tenha mais cor e que seja mais leve. Nada mais importa, há um despojamento, uma vontade de ficar só com aquele sentimento, aquela percepção nova, uma grande intuição ou mesmo o vazio que preenche todos os espaços. Podemos virar mendigos .... E tudo bem!!!!?? Esse é um ponto complicado, porque as contas chegam e saturno cobra!

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Como muitas vezes não suportamos viver no não-saber ou não compreendemos esse tipo de saber, procuramos respostas rápidas para esse mistério, vamos em busca de uma forma ilusória, mágica e rápida. Depois nos damos conta da nossa fragilidade, daquilo que “nada sabemos dessa vida”, e podemos ficar quietos e encontrar uma saída. Que nem sempre é clara!!!

As mudanças de netuno acontecem muito lentamente, é uma sensação de que “alguma coisa está acontecendo”. No início podemos colocar a culpa na situação externa, mas depois vemos que está mudando mesmo e não importa de quem é a culpa.

Uma questão cultural, um novo paradigma

Para deixar netuno entrar em nossas vidas, é preciso ter uma nova escuta, novas lentes nos olhos... O tempo de netuno não é linear como o de Saturno. Se perguntarmos a saturno se ele tem tempo, ele vai dizer que não, que tem prazos, que tem muitas tarefas a cumprir.

Para encontrar essa parte de nós que quer chegar, o truque é sair um pouco desse tempo cronológico. É o tempo do sonho, do sono, dos mitos, do ócio criativo, do devaneio, do reverso do senso comum.

É Netuno quem de fato vira a roupa pelo avesso!!!! Quem reverte as ideias que temos acerca da realidade, de nós, dos outros. E por mais que seja desesperador a falta de clareza e de definições, num trânsito netuniano, essa é a única garantia de uma passagem segura. Não tem resposta pronta, certa, definitiva, nesse momento, nem tão pouco nenhuma intervenção pragmática.

Desconstruindo nossas identificações

É um convite para uma festa onde não há separação, isolamento, entre nós e os outros, entre nós e nossos muitos eus... Entre nosso consciente e inconsciente. E é no meio dessa festa que podemos por um instante sentir a sensação de pertencimento, de unidade.

Netuno é o desejo de ir além do sentimento de ser um eu separado e fundir-se com algo maior. É transcender as fronteiras de um ego isolado. É sentirmos em algum momento, que somos o mundo inteiro, um oceano.

Temos o hábito de nos identificar com alguma parte de nós, que vai estar relacionada a nossa história de vida. Pode ser nosso lado bom, amável, generoso, nosso lado excêntrico, abandonado ou malvado ou aquela parte que sabe tudo. A nova informação é que somos isso e aquilo também, somos isso e podemos não ser isso também, somos muitas coisas. A realidade não é linear.

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Viver Netuno é sentir na pele que somos feitos de átomos e o que são os átomos? Partículas isoladas? Eu começo em um lugar e você termina mais adiante? Com Netuno muitas vezes não temos força para panfletar ou defender os direitos humanos com discursos, protestos, charges, porque estamos tão imersos na nossa dor, nossa verdade ou na do outro, que silenciamos.

Netuno é um padrão ondulatório que se propaga infinitamente através do universo em todas as direções. Num nível mais profundo da nossa existência todos estamos ligados uns aos outros.

É um trânsito budista... É um em tudo e tudo em um! Um grande desafio para nossos mecanismos de defesas e couraças que construímos ao longo das nossas vidas.

Ele nos obriga a reconhecer que nosso ego não está comandando o espetáculo e que por mais esforço que façamos, teremos que nos curvar a uma vontade superior. É um “abaixar a cabeça”, reverenciar a vida com sua força de ir e vir, de encher e esvaziar, de altos e baixos, como a maré.

É saber que não é porque tomamos essa ou aquela atitude que as coisas vão acontecer como queremos ou planejamos. Aqui não tem qualquer utilidade não deixar para amanhã o que pode se fazer hoje. As soluções não chegam através de uma lógica simplista. Fazemos a nossa parte, mas a vida vai se mostrando, se impondo com uma força infinita. E a ideia é exatamente essa e é muito bonito observar todo esse processo. O que Netuno quer é que a gente possa acreditar, sentir a força da vida! Esse não é um processo de libertação? Acredito que sim. Quando deixamos de lado as amarras dos nossos pensamentos e podemos perdoar, abaixar a guarda, ser honesto com nossos sentimentos simplesmente porque sentimos, deixamos de nos sentir estranhos em nossos ninhos. Claro que esse é um processo exaustivo, onde muros se desmoronam e por isso mesmo, uma sensação de cansaço e vazio profundo!

Então, quando finalmente desistimos e deixamos as coisas correrem é que podemos criar a possibilidade de acontecer algo que nos ajude a sair de nossas dificuldades e avançar no próximo estágio da vida.

Netuno em Aquário – uma grande síntese

Em janeiro de 1998 o planeta netuno passou a transitar no signo de aquário e desde lá vem mexendo com aqueles que têm planetas nesse sigo de qualidade fixa, do elemento ar, mental.

Talvez o maior desafio seja aprender a se relacionar com a realidade de uma outra forma, não mais através das ideias sobre as coisas. Deixar de ser um observador crítico, à margem e deixar-se envolver. Nosso lado aquariano, por exemplo, parte para se relacionar defendendo a ideia de liberdade, de anti-convencionalismo, de proteção à individualidade. O que esquecemos é que não somos somente nossas ideias, mas também nossos medos, necessidades, entraves, temos uma história! E que nossas idéias chegam muitas vezes carregadas das nossas impossibilidades, daí não podermos sustentá-las.

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Uma lua em aquário não vai deixar de ser uma lua em aquário, assim como uma vênus ou marte em aquário, mas com um trânsito de netuno vai viver experiências de outra natureza. Nenhuma mudança de padrão é confortável, mas certamente, quanto maior a resistência, maior o sofrimento. Aliás, essa é uma linguagem netuniana: Vou mudar, quanto maior a resistência, maior o atrito!

A revolução para os aquarianos pode ocorrer apenas na sua mente, ele gosta de brincar com a ideia, mesmo que seja para ver o rebuliço que causa no outro. Ele é um espectador! Suas idéias podem não ter uma aplicação prática e tudo bem.

Mas com netuno esse cenário muda. Vem a necessidade de se relacionar com a sua humanidade, a dos outros e a do mundo, de forma menos intelectualizada, menos impessoal e com maior proximidade emocional. Reconhecer que as emoções e sentimentos são partes vitais da tal individualidade que tanto é valorizada.

Mudanças, mudanças e mais mudanças – A eterna impermanência da vida.

Os trânsitos planetários no nosso mapa natal, os planetas vão estar sempre no mesmo lugar. O mapa é a “fotografia do céu” no momento exato do nosso nascimento. Todo mapa tem aspectos que facilitam a nossa vida e outros que trazem grandes desafios.

Há de se ter bons olhos para escutar... Rs, rs, rs. Muitas vezes o mapa fala de forma antagônica... Por isso, não esqueçam de olhar as áreas opostas, tanto nos aspectos natais, quanto nos trânsitos.



O tamanho do nosso medo fala da nossa coragem. É olhando para a nossa sombra, nosso chumbo, que vislumbramos nosso ouro, e é exatamente aquilo que exige, que mexe, que traz desconforto, que possibilita uma saída, uma luz.

Os planetas não estão parados no céu, eles estão em movimento e configuram toda uma dinâmica na nossa vida. Alguns trânsitos trazem boas oportunidades, abrem caminhos com muita fluidez, portas, e outros trazem experiências desafiadoras, crises, exigindo mudanças mais profundas e estruturais.



Os antigos chineses nomeavam a palavra crise com uma combinação de duas palavras: perigo (WEI) e oportunidade (CHI). Queria acrescentar mais duas palavrinhas, fazendo jus ao meu sol geminiano: consciência e escolha.

O mapa nos dá dicas fantásticas através do simbolismo dos planetas, signos e casas. Podemos saber o que significa um trânsito de plutão entrando na nossa casa VII, por exemplo, e isso pode ajudar no nosso posicionamento diante de algumas situações.

Mais que previsão, um trânsito pode prevenir! Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come... E se juntar informações, dicas, sinais, aceitar a natureza do planeta, recebê-lo e se entregar, o bicho pode o que?? No mínimo se espantar e fugir!!!!! Mas não temos qualquer garantia.



Ah, voltando a Plutão. Casa VII é a área das parcerias, dos relacionamentos mais próximos, é o casamento, é estar definitivamente diante do outro, no confronto. Em meio a muita paixão, sedução, sexo, muitos questionamentos em relação a “me entrego ou não”, relacionamentos onde você pode se sentir raptada e em alguns momentos, sufocada, mas que te trazem a dimensão de Plutão, que é o quanto você pode “conseguir o que você quer”... “ o tamanho do seu desejo”, o contato real com seu poder e a possibilidade de aprender a ficar invisível, usar seu véu . Daí muitas coisitas mais... pessoas muito fortes, relacionamentos escondidos, triângulos amorosos, traição, violência. Que parceiro (a) você escolhe na vida??? Existe escolha?

A tomada de consciência parece ser um bom primeiro passo, mas a forma como vou interpretar o que está acontecendo depende do ponto em que podemos olhar em determinado momento. Podemos nos inundar de queixas, resistir, remar contra a maré de Plutão e insistir em permanecer re-clamando aos deuses.

Uma crise pode também ser um momento de virada, de algo novo, uma oportunidade de permitir que as coisas aconteçam de forma diferente da que estamos acostumados a fazer e se transformem. Tudo depende da nossa escolha e de estarmos dispostos a abrir mão de antigas crenças e velhos padrões condicionantes que já não precisamos mais.



Podemos tirar o sabor e o saber de tudo que nos chega. E penso que tudo é certo no final e se não tiver dando certo é porque não é o final.

Os ciclos dos planetas estão sempre nos lembrando que nossa existência, além de nos ser dada, nos é também cobrada. Estamos há todo tempo tendo de nos lembrar quem realmente somos para logo em seguida abrirmos mão de nós mesmos em alguma medida. É... muita respiração, enchendo e esvaziando.

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar, cair as folhas e renascer."
(C. Meireles)


Nos últimos anos, temos vivido incomensuráveis desafios. Por outro lado, grandes oportunidades de fazermos belas sínteses individuais. Por isso pensei em fazer um exercício de escrever nas próximas semanas sobre os trânsitos dos planetas transpessoais: Urano em Peixes, Netuno em Aquário e Plutão em Capricórnio. As pessoas que têm planetas importantes nesses signos, passaram ou estão passando por muitas transformações...

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Desde muito cedo estive cercada de pessoas amantes da astrologia. Lembro da primeira vez que estive numa feira de livros de astrologia, queria levá-los todos para a minha casa. Isso faz algum tempo... Ao certo ainda não sabia que esta seria minha grande parceira de jornada. A minha relação com a astrologia foi mudando ao longo dos anos. Passei por um tempo onde a curiosidade geminiana me levava a querer conhecer muitos autores diferentes, tempo em que muitos livros de astrologia foram lançados.


Tempo bom... Os diálogos na mesa do bar, do consultório, da rede e da cama trouxeram o colorido especial da experiência vivida, da entrega, ao meu trabalho.


Para mim a astrologia fala da nossa existência e nos lembra a todo instante que somos co-autores da nossa realidade.

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