TRANSFORMANDO CHUMBO EM OURO - Parte III


Delegando nossa autoridade

Muito rapidamente deixamos de ser autores de nossas vidas na área de saturno e por isso sentimos medo, porque entregamos nossa autoridade ao outro. Saturno é o diretor da cena e o roteiro elaborado por ele, traz os padrões condicionantes. Escolhemos figuras opressivas que garantem a repetição do padrão de frustração, limite, fracasso, da dor, porque sabotam nosso impulso criativo. Sem a autoridade interior, a autoridade exterior nos guiará, dirigirá nossas vidas. Essas circunstâncias de muito desafio nos levam a um encontro com a solidão para reescrever nosso roteiro. É um chamado para olhar para dentro e perceber o que é essencial, refletir e ter clareza para não colocarmos pessoas para representar partes de nossa vida. A solidão traz a descoberta do que pode me sustentar sem muletas. Fugir não cura a solidão. A solidão é a cura para a solidão!

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É apenas no ponto da escuridão, onde encontro com a sombra (NIGREDO) que nos tornamos cientes do ouro dentro de nós, o verdadeiro poder criativo.

Transformando chumbo em ouro

Costumo dizer que há muito trabalho e muita magia nas nossas transformações, que é preciso esforço, trabalho, seriedade, mas também graça, entrega, leveza e muita dança. Para mim, o processo de maturação que saturno exige é semelhante a uma transformação alquímica. É um processo de individuação. É transformar matéria densa e pesada em algo reluzente e precioso. É o chumbo virando ouro. Nessa alquimia acontecem quatro fases. A primeira delas chama-se NIGREDO – É quando entramos em contato com nossa sombra. É o reconhecimento de nossas fraquezas e limites. A ultrapassagem acontece quando decidimos não mais nos deixar dominar por nossos aspectos mais sombrios. Paramos de nos identificar com o problema. Quando isso acontece já estamos no início de outra fase, quando abandonamos esse estado doloroso.

A segunda fase chama-se ALBEDO – é a compreensão mental do nosso processo. Como conseqüência, na terceira fase, que chama-se CITRINITAS – como a pessoa entrou verdadeiramente em contato com sua dor, limite e possibilidade, ela deixa de pensar só em si mesma, sai do individualismo. Tem olhar mais compassivo, pode aceitar mais a si e ao outro. Esse é um momento bem interessante, porque deixamos de nos levar tão a sério e ganhamos bastante... E por fim, a última e confortante fase, chamada RUBEDO é o momento da união entre forças opostas. Algo firme nasce e está além de altos e baixos. Ficamos mais participantes do fluxo vital. Transformamos chumbo em ouro!!

Para Jung é como se estivéssemos no pico de uma montanha acima de uma tempestade. Podemos ver as nuvens negras, mas algo em nós observa e já pode dizer que essa cantiga é nossa velha conhecida e não seremos capturados por ela, tão facilmente. É importante compreender que não existe melhor ou pior, que chumbo e ouro são iguais!!! Não existe melhor nem pior... Vamos amar nossa sombra, amar a fera pelo que ela é. A fera só pode se libertar do encantamento e se transformar na “Bela”, quando for amada pelo que é. Pela aceitação e auto compreensão.

É preciso coragem para ser vulnerável, magnânimo, para permitir os fracassos dos outros, para viver nossa dores. Admitir a própria escuridão parece ser pré-requisito não apenas para o auto-conhecimento, mas também para o conhecimento e aceitação dos outros. Quando sabemos da nossa própria sombra, temos a consciência da nossa ambigüidade. Somos pacifista e valentão, herói e covarde. Temos duas faces e precisamos reconhecer isso para saber expressar nosso lado luminoso e escuro. E para não cobrar tanto do outro que estamos nos relacionando. Tentamos mostrar somente nossa perfeição. A tensão desse esforço é uma carga imensa e a garantia que vamos nos frustrar.

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Ninguém sustenta uma máscara, um personagem, por muito tempo. Temos inúmeras facetas, necessidades. Ao mesmo tempo que somos acessíveis, precisamos ficar inacessíveis ao outro, ao mesmo tempo que precisamos descrever e entender o que estamos sentindo, uma voz nos chama a uma entrega silenciosa. O eticamente correto convive lado a lado com o amoral e uma necessidade premente de transgredir e libertar-se de padrões condicionantes. Não lemos isto ou aquilo mas tudo ao mesmo tempo !!!
A sombra precisa ter espaço para respirar!!!! Porque será que é tão difícil na nossa cultura fazer contato com nossa sombra, nossa vulnerabilidade e porque precisamos parecer perfeitos ao outro? Qual a influência da era de Peixes nos relacionamentos? Que valores recebemos?
Na era de peixes, os deuses foram disfarçados com outros nomes por um deus de amor pela humanidade, compaixão e sacrifício, milagres, visões, fé cega, muito idealismo, fantasias, muita desilusão. Relações fantasiosas e cheias de projeção. Freqüentadores de igreja cheios de convicções religiosas que vomitavam ódio, inveja e segregação até sua próxima visita a igreja. A garantia do perdão e a entrada no céu, tirou a responsabilidade do ser humano pelas suas ações. Muita fantasia sem uma base compatível com atos do cotidiano E os 365 dias do ano? E na hora de acordar, fazer o supermercado, dividir as contas... As qualidades de virgem foram esquecidas, reprimidas, então os valores mais elevados de amor pelo outro não tiveram a oportunidade de serem realistas e postos em prática. Virgem mostra que ama através da prática!! Não tivemos o culto à vida diária, a discriminação, o discernimento, auto-aperfeiçoamento, praticidade. Faltou acessibilidade ao outro. Para se relacionar, é preciso acima de tudo estar disponível, acessível ao outro e a si mesmo, principalmente.

Relação é Troca

Um Saturno de casa I, só recebe, mas não dá nada. Ele não tira a roupa, vive da máscara, de performance. Ele não faz concessões. Ele não tem para dar. O de VII dá e fica queixando que o outro não dá. Mas como o outro pode dá se ele fez tudo, como é que tem troca? Precisa merecer receber afeto, abrir espaço para receber. O saturno de casa V quer aprovação, tem que fazer tudo certo e fica difícil se relacionar na perfeição. E assim por diante...

Novos tempos - Era de aquário-leão

Que influência tem a era de aquário nos nossos relacionamentos com outros seres humanos? O que muda nas necessidades e valores nos relacionamentos? Logo responderemos que caíram de pára-quedas as relações virtuais, as salas de bate-papo, os relacionamentos estão se expandindo numa outra linguagem. Com aquário como espírito de uma época, a esfera do intelecto e do conhecimento vai se tornando o valor dominante. Aquário tem sede de arrancar os véus dos mistérios. Não tolera o amor pedinte, queixas recorrentes, a carência, o choro. Mas não podemos esquecer que chumbo e ouro são iguais, que essas são expressões do humano que podem, em algum momento, aparecer num relacionamento. E se não tiverem espaço para existir, nos consomem como sombra, fantasmas. Falamos agora de arquétipos e energia e não mais de deuses.

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O ser humano vai precisar encontrar-se com sua humanidade e este será seu deus. Para aquário tudo é energia, isso significa que a forma, as leis já não têm tanta importância, então ninguém precisa mais ficar com ninguém por uma lei ou decreto e sim por uma vontade própria e que muitas maneiras de amar vão valer ou “qualquer maneira de amor vale amar”. VONTADE, QUEBRA DE ESTRUTURAS. Aquário tem necessidade de experimentação, de renovação, de quebrar estruturas, de conhecer o novo, de mudar o que está estagnado.

Por outro lado tem uma instabilidade, ansiedade e autoritarismo, que muitas vezes dificulta a troca. Enquanto aquário está relacionado a idéia de um relacionamento, ao grupo, a coletividade, leão vai trazer a individualidade criativa, a intuição e o valor intrínseco do indivíduo. O indivíduo se posicionando no grupo. O processo de individuação passa por fases: choro, raiva, ilusão, É PRECISO RESPIRAR A SOMBRA. O SER HUMANO É REAL, NÃO É IDEIA.

Estamos vivendo a época dos avanços tecnológicos. As relações afetivas também estão mudando com transformações profundas e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto e não mais relação de dependência em que responsabilizamos o outro por nosso bem estar. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe. Só se for uma escolha... A idéia de uma pessoa ser remédio para a nossa felicidade está fadada a desaparecer. O amor romântico passa pela premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes nesses relacionamentos acontece um processo de despersonalização irreversível !!!

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Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas! Essa é uma premissa que descarta a possibilidade de um encontro espontâneo, verdadeiro e cheio de encantos. Relação não é obrigação, trabalho, é desejo, escolha. Se estamos on line com as questões mais subjetivas do humano, observando nossos medos, cuidadosos com nossas projeções, podemos ser também mais amorosos e generosos com o outro. A palavra de ordem deste século é parceria, trocando o amor da necessidade, pelo amor do desejo. Ou melhor, pelo amor que pode inclusive estar atento para não desejar tanto. Eu gosto da sua companhia, mas não preciso de você. O outro não é mais um príncipe ou salvador, mas um companheiro. A nova forma de amor visa a união de dois inteiros e não de duas metades.

Ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade. E quanto mais formos competentes para vivermos sozinhos mais preparados estaremos para uma boa relação afetiva de troca, de parceria. Na verdade, apesar de ser essencialmente do elemento AR, repleta de necessidades de descrever o que penso e sinto, acredito que o amor mesmo é um estado de plenitude que nos pertence. Que é muito prazeroso, que preenche e nutre!!! E que não temos como compartilhá-lo, nem descrevê-lo e nem devamos tentar. Talvez seja o amor pelo amor mesmo!!! Relação é outra coisa e é isso também... Assim como chumbo e ouro são iguais...

P.S.[A 1ª parte do artigo está neste link: Saturno nas relações - Parte I]

P.S. [A 2ª parte do artigo está neste link: Saturno nas relações - Parte II]

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Desde muito cedo estive cercada de pessoas amantes da astrologia. Lembro da primeira vez que estive numa feira de livros de astrologia, queria levá-los todos para a minha casa. Isso faz algum tempo... Ao certo ainda não sabia que esta seria minha grande parceira de jornada. A minha relação com a astrologia foi mudando ao longo dos anos. Passei por um tempo onde a curiosidade geminiana me levava a querer conhecer muitos autores diferentes, tempo em que muitos livros de astrologia foram lançados.


Tempo bom... Os diálogos na mesa do bar, do consultório, da rede e da cama trouxeram o colorido especial da experiência vivida, da entrega, ao meu trabalho.


Para mim a astrologia fala da nossa existência e nos lembra a todo instante que somos co-autores da nossa realidade.

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